sexta-feira, 11 de novembro de 2016

40% das mulheres que sofrem violência doméstica são evangélicas, diz pesquisa recente

A violência doméstica é uma triste realidade no Brasil e uma pesquisa descobriu uma informação ainda mais alarmante: 40% das mulheres que se declaram vítimas de agressões físicas e verbais de seus maridos são evangélicas.

A descoberta é resultado de uma pesquisa da Universidade Presbiteriana Mackenzie a partir de relatos colhidos por organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham no apoio às vítimas desse tipo de violência.

“Não esperávamos encontrar, no nosso campo de pesquisa, quase 40% das atendidas declarando-se evangélicas”, diz um trecho do relatório divulgado, de acordo com informações da Rede Super.

A surpresa não é maior do que a preocupação que existe sobre o contexto das agressões: muitas das vítimas dizem sentirem-se coagidas por seus líderes religiosos a não denunciarem seus maridos.

“A violência do agressor é combatida pelo ‘poder’ da oração. As ‘fraquezas’ de seus maridos são entendidas como ‘investidas do demônio’, então a denúncia de seus companheiros agressores as leva a sentir culpa por, no seu modo de entender, estarem traindo seu pastor, sua igreja e o próprio Deus”, denuncia o documento.

Os responsáveis pelo estudo ressaltam, no relatório, que as comunidades de fé onde essas mulheres que sofrem violência congregam precisam agir de maneira diferente: “O que era um dever, o da denúncia, para fazer uso de seu direito de não sofrer violência, passa a ser entendido como uma fraqueza, ou falta de fé na provisão e promessa divina de conversão-transformação de seu cônjuge”, constatam.

No programa De Tudo Um Pouco, da Rede Super, o pastor Renato Vieira Matildes e o advogado Antônio Cintra Schmidt analisaram os dados dessa pesquisa.

De acordo com Matildes, a omissão dos pastores é parte importante nos casos de violência doméstica: “A gente percebe a omissão pela falta de orientação e pela omissão mesmo de não querer informar. Porque é mais fácil virar e dizer: ‘Olha, vá embora que nós vamos orar e Deus vai fazer a obra’”, disse.

O pastor ponderou que a ação espiritual é válida, mas é necessário tomar medidas que garantam a segurança dessas mulheres: “Deus realmente continua fazendo a sua obra. Porém é mais difícil a gente instruir essas pessoas. É difícil você sentar com um casal e sentar com eles uma noite, um dia. Essas são questões difíceis de lidar e as pessoas não querem fazer isso e caminham para o lado mais fácil […] Isso não pode ser assim e não deve ser assim”, acrescentou.

Para o advogado Schmidt, a igreja pode ter condições de ajudar a mulher que se encontra nesta situação de forma mais efetiva: “Seria muito interessante se as igrejas tivessem esse acompanhamento e esse grupo para ajudar na conscientização da mulher”, comentou. “A mulher tem um receio tremendo por todos esses fatos, de fazer uma denúncia, de expor a convivência familiar dela e em qualquer nível. Acontece que às vezes não é ela quem expõe. O vizinho, por exemplo, vê uma agressão e pode fazer a denúncia. E feita a denúncia, a Polícia vem e dali para frente não tem mais como parar o processo”, explicou.

FONTE: Gospel + em 10/10/2016

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Saem à luz novas denúncias de tortura contra mulheres presas no Brasil

Por Tatiana Félix

Dados preliminares do Programa de Prevenção e Combate à Tortura da Pastoral Carcerária denunciam a prática da tortura dentro de unidades prisionais do país. Mais da metade das denúncias acontece em unidades de prisão provisória, delegacias, presídios mistos ou no momento da prisão, e também atinge as mulheres.

Apesar de ter encaminhado denúncias a órgãos públicos, a Pastoral apurou que, no caso da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (Estado de Minas Gerais), por exemplo, o Ministério Público do Estado não deu a devida atenção ao caso e arquivou a denúncia. Relatos de sessões de espancamento por vários agentes, sufocamento, pancadas e outras técnicas de tortura, inclusive contra mulheres, foram encaminhadas ao órgão, na ocasião. Segundo o levantamento da Pastoral, a Promotoria responsável pelo caso sequer visitou a unidade ou entrevistou os detentos.



No caso das mulheres, a situação é ainda pior. De acordo com a irmã Petra Pfaller, coordenadora nacional para a Questão da Mulher Presa da Pastoral Carcerária, de modo geral, as mulheres presas estão em locais com piores condições do que os homens.

Para ela, a tortura vai além da prática de agressão física. "O que é tortura? É estar numa cela só com colchão, sem banheiro, só com um buraco no chão, sem banho de sol. Isto é tortura. Outra questão agravante é a dos filhos pequenos. Também é tortura não ter berçário digno, não tem presídio materno”, denuncia.

Embora a população carcerária feminina tenha crescido mais do que a masculina, nos últimos anos, o sistema prisional brasileiro ainda não está preparado para lidar com as mulheres presas. Segundo a coordenadora, o sistema penitenciário é feito por homens e para homens, que são a maioria da população carcerária. "Os gestores são homens, a visão machista é muito forte, então, as mulheres não têm voz”, analisa. Por isso, ela afirma que é necessário dar visibilidade à questão da mulher no cárcere, sobretudo, as que são mães.

No último dia 03 de março, a Pastoral Carcerária enviou uma denúncia de tortura e maus-tratos na Ala Feminina do Complexo Penal Dr. João Chaves, em Natal, Rio Grande do Norte, para as autoridades de justiça do Estado, após uma visita realizada ao presídio, no dia 16 de fevereiro deste ano. No relato, cerca de 20 mulheres estariam nas celas de castigo, chamadas chapa, numa ala escura e abafada, sem direito a banho de sol, sob condições degradantes e desumanas.



"As instituições do Sistema de Justiça, infelizmente, têm atuado estruturalmente mais obstaculizando do que promovendo a apuração dos casos de tortura. Apesar de dois relatores da ONU [Organização das Nações Unidas] terem considerado tal prática como endêmica nas masmorras brasileiras, a regra da tortura continua sendo a subnotificação, já que a chance de qualquer responsabilização dos envolvidos ou reparação das vítimas é baixíssima”, comentao assessor jurídico da Pastoral Carcerária Nacional, Paulo Malvezzi.

Irmã Petra concorda que a maioria dos casos não é investigada, "no máximo, acontece um procedimento interno”. "A pesquisa da Pastoral Carcerária é uma amostra do que acontece no Brasil todo. Para provar que tem tortura é muito difícil, porque os presos têm medo”, afirma.

Com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos e da OakFundation, o programa de combate à tortura da Pastoral Carcerária tem recebido denúncias e acompanhado casos de torturas, desde 2014, em todo o país. O objetivo de analisar como o sistema de justiça processa esses casos e o quanto a prática da tortura ainda está presente no sistema prisional e policial do Brasil. O relatório final do projeto será apresentado no mês de setembro de 2016.

FONTE: Agência de notícias Adital em 01/04/2016

[ENTREVISTA ESPECIAL] Contradição: violência contra mulheres em lares religiosos

Por Paulo Emanuel Lopes

Todos os anos, centenas de mulheres sofrem violência de todos os tipos, dentro ou fora de casa, no Brasil. Os casos mais extremos levam o país a ocupar a quinta posição no ranking mundial de assassinatos de mulheres, segundo demonstra o Mapa da Violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil. Apesar de ser uma realidade que vem desde a Antiguidade e atinge vários países, é curioso perceber que muitas dessas mulheres são religiosas e vítimas de parceiros igualmente religiosos.

Neste sentido, como um país onde cerca de 80% da população é cristã pode praticar tanta violência contra suas mulheres? Para responder a esta e outras perguntas, a Adital conversou com Ester Lisboa, coordenadora da Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência e assessora da Koinonia – Presença Ecumênica e Serviço. Assistente social por formação, Ester afirma que a maioria das mulheres atendidas por situações de humilhação ou violência física é evangélica, "vitimas de seus parceiros, que ocupavam cargos de liderança em suas igrejas”, o que contradiz ao princípio da misericórdia e do amor pregado pelas religiões. "Então, somos um país religioso, mas absurdamente machista, impiedoso e conservador”, analisa.




Ester Lisboa tem uma larga experiência com mulheres vítimas de violência em lares religiosos.







Segundo ela, parte do problema é provocado pelo conservadorismo de algumas denominações, que ainda seguem o conceito de que a mulher deve apenas obedecer ao marido e não se expressar. E, apesar de ter um caráter moralista, a religião, muitas vezes, não regula a moral, "muito pelo contrario, legitima e silencia os atos de violência”. No entanto, embora ainda se enfrentem muitos obstáculos, as mulheres vêm conquistando espaços dentro das comunidades religiosas, nas últimas décadas. "O mundo gira, comportamentos surgem, novas regras se impõem. O novo é inevitável, as mudanças virão”, prevê. Confira a entrevista completa, a seguir:

Adital: O Brasil é um país onde mais de 80% da população se declara cristã. Entretanto, amargamos a desagradável posição de ser o quinto país no ranking mundial de homicídios de mulheres (Segundo dados do Mapa da Violência 2015: Homicídio de mulheres no Brasil). Esta não é uma constatação contraditória? A religiosidade brasileira, ao contrário de contribuir para o empoderamento das mulheres, estaria servindo para justificar ou mesmo encobrir as agressões sofridas?

Ester Lisboa: Por mais incrível que possa parecer, a religiosidade brasileira legitima e silencia as situações de violência sofrida pelas mulheres. É intrigante ver como homens de Deus, como São Paulo, por exemplo, dizia: "Que as mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar. Se quiserem ser instruídas sobre algum ponto, interroguem em casa os seus maridos”. Esse comportamento tão longínquo transparece nos comportamentos até os dias de hoje. Quando coordenei o Centro de Referência da Mulher, em São Paulo, notei que a maioria das atendidas por situações de humilhação e violência física eram mulheres evangélicas, vítimas de seus parceiros, que ocupavam cargos de liderança em suas igrejas. A principal pergunta era: Como um homem que prega o amor pela família e fala de misericórdia pode ser rude dentro do seu lar? A resposta, talvez, seja: aprendeu assim, a vida vem lhe mostrando que a mulher é um ser inferior, como já dizia Paulo. Então, somos um país religioso, mas absurdamente machista, impiedoso e conservador.

Adital: Seguindo o raciocínio anterior, apesar das revoluções vividas durante o século XX, como a independência feminina e sexual, por que os tabus religiosos ainda são tão fortes na sociedade? Esta é uma realidade em evolução ou o fundamentalismo religioso, adotado por alguns líderes cristãos, vem alterando o rumo dessas mudanças?

Ester Lisboa: Uma das funções da religião é regular a moral. Decodificar religiosidade como santidade e o que for contrário disto é pecado, é uma das maiores crueldades das religiões. O fundamentalismo gosta de lembrar que, nas sagradas escrituras, está escrito que o salário do pecado é a morte, mas não diz que o amor é mais forte do que a morte. Portanto, os discursos fundamentalistas estão fadados a perderem a credibilidade porque a religião não regula a moral, pelo contrário, legitima e silencia os atos de violência.



Adital: Como coordenadora da Rede Religiosa de Proteção à Mulher Vítima de Violência, através de rodas de conversa com mulheres de diferentes religiões e idades, vocês procuram conhecer e orientar sobre casos de abusos e/ou violência. Quais histórias você observa que mais se repetem? Você poderia exemplificar com um caso que lhe chamou a atenção?

Ester Lisboa: Temos realizado rodas de conversa em várias comunidades religiosas, cristãs e não cristãs, e, infelizmente, em todas, ouvimos pelo menos uma história de violência sofrida por mulheres engajadas e companheiras de líderes religiosos. Lembro do caso de uma senhora, já com seus 72 anos, casada há 55 anos com um homem truculento, pastor e líder renomado na denominação, com três filhos. Essa senhora, cansada de ser maltratada psicológica, física e patrimonialmente, começou a desenvolver doenças psicossomáticas e resolveu se separar. Qual a surpresa: o marido não permitiu e os três filhos também não a apoiam. Ou seja, a violência doméstica já ultrapassara as gerações, os filhos a violentaram emocionalmente. Essa senhora, hoje, está internada, com quadro clínico grave. Talvez, tenha um culto em sua memória quando ela morrer.

Adital: Ainda em relação ao projeto citado, como se dá o processo de retorno dessas mulheres às suas casas e companheiros? Há uma modificação, sob o ponto de vista religioso, da percepção sobre a violência sofrida? Ou seja, como as mulheres reagem após participarem das conversas?

Ester Lisboa: Esta é a nossa grande preocupação. Algumas comunidades prestam assistência a essas mulheres, criando ações específicas de acolhimento e orientação. Geralmente, após as rodas de conversa, algumas vêm me procurar e a nossa postura é ouvir tudo que têm para contar, e encaminhamos para a rede de enfrentamento do município. Algumas mulheres reagem positivamente e, após a superação da violência, se dedicam a ajudar outras mulheres. Algumas pastoras têm assumido o tema como ministério profético e de proclamação.

Adital: As grandes religiões do mundo ocidental são, predominantemente, patriarcais, nas quais as mulheres sequer podem ser sacerdotisas. Esse ‘poderio’ masculino na hierarquia religiosa parece referir-se a uma interpretação de que Jesus teria escolhido como discípulos apenas homens, e teria elegido um homem, Pedro, como primeiro Pai (Papa) da Igreja Cristã. O que a Teologia e as demais Ciências Humanas têm a dizer, hoje, sobre quem é a mulher e qual seu papel na Igreja?

Ester Lisboa: Faço parte das militantes feministas ecumênicas, das antigas. (risos) Atuei na primeira década ecumênica das mulheres, promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas, e continuei na segunda. Atuo na Pastoral de Mulheres e Justiça de Gênero do Clai – Conselho Latino-Americano de Igrejas, desde 1999. No início, foi como abrir uma trilha dentro das normas e dogmas das igrejas. Nos últimos 30 anos, as mulheres vêm assumindo cargos de poder e colaborando nas decisões de algumas comunidades religiosas. Não sou pastora, não sou teóloga, mas sou uma mulher indignada com as injustiças sociais, e uma delas sempre foi em relação ao papel da mulher na sociedade e nas igrejas. As comunidades religiosas cristãs e não cristãs terão que aprender a respeitarem todas as pessoas e aqui acrescento as mulheres transexuais, travestis, lésbicas e cisgêneras.



Adital: Na Igreja Católica, por exemplo, o papado de Francisco vem tentando abrir algumas portas, como aos homossexuais e a uma participação mais central das mulheres. Entretanto, a resistência encontrada por Francisco demonstra que uma boa parte da Igreja não está disposta a mudanças. Nesse início de século XXI, como está sendo a busca das mulheres por mais participação nas religiões do mundo? E por que há tanta resistência?

Ester Lisboa: Sempre entendi resistência como o ato de não abrir mão dos meus conceitos. Não repensar, não permitir que alguém, ao pensar diferente, se sobressaia. Entendo tudo isso como uma grande ilusão. No passado, os filhos jamais viam os pais nus, hoje, tomam banho juntos. Antigamente, a família expulsava e negava a existência de um filho efeminado, hoje, começam a entender as diferentes identidades sexuais. No passado, um gay não podia frequentar uma comunidade religiosa cristã, hoje, temos igrejas inclusivas, dirigidas por homens e mulheres trans. Ou seja, querendo ou não, as relações mudam. As crianças começam a enxergar o mundo de forma diferente. O mundo gira, novos conceitos e comportamentos surgem, novas regras se impõem, novos modelos de família se configuram. O novo é inevitável, as mudanças virão, com certeza. Graças a Deus!

Adital: Para finalizar, gostaria que você deixasse uma mensagem de incentivo às mulheres que constroem a Comunidade Cristã leiga no mundo, a chamada "Igreja de base”, enfatizando quais atitudes, hoje, contribuirão para uma Igreja mais aberta no amanhã.

Ester Lisboa: Que responsabilidade! Aprendi, nesses meus 53 anos de vida, que a convivência com o outro e a outra são as maiores riquezas. Tenho contribuído na execução de um programa voltado a atender a 200 mulheres e homens trans. Que aprendizado diário! Que histórias de vida exuberantes! Que fé e esperança!Então, minha mensagem é: se permitam viverem diferentes experiências, se permitam conviverem com todas as pessoas, por mais estranhas que possam parecer, você sempre achará a chama Divina dentro delas, e assim a sua chama Divina nunca se apagará.

Colaborou Tatiana Félix.

FONTE: Agência de notícia Adital em 01/04/2016

quarta-feira, 23 de março de 2016

Religião e violência contra a mulher

Dando continuidade às atividades da Campanha “O amor lança fora todo medo”, KOINONIA-Presença Ecumênica e Serviço e REJU propõem a “Roda de Conversa: religião e violência contra as mulheres”, que acontece no próximo sábado (16/3), na cidade de São Paulo.
O mês de março é marcado pela história de luta por direitos das mulheres, uma história recente e ainda muito recorrente nas diferentes instituições da sociedade, inclusive nas religiosas. Apesar de termos avançado, as raízes machistas e patriarcais – muitas vezes legitimadas pelo discurso religioso – estão presentes nas casas brasileiras.
De acordo com o Mapa da Violência 2012 – Homicídio de Mulheres, o Brasil é o 7º país com a maior taxa de homicídios em comparação com outras 84 nações. Apesar da criação da Lei Maria da Penha, apenas 2% dos agressores é condenada, enquanto que uma mulher ainda é agredida a cada cinco minutos e uma é morte a cada duas horas.
No Brasil, a violência contra a mulher é considerada uma epidemia. Trata-se de um problema da sociedade toda e, por isso, que homens e mulheres – religios@s ou não, de diferentes tradições e denominações – fazem parte da solução. Desta maneira, a roda de conversa pretende disponibilizar um espaço inter-religioso de intercâmbio de informações e experiências sobre as inúmeras facetas da violência contra as mulheres.

A teóloga e Pastora metodista Lídia Maria de Lima e a representante da Comunidade Bahá’í do Brasil Daniella Hiche estão entre as participantes confirmadas para este sábado. Elas se juntarão à Sarah Roure, militante da Marcha Mundial das Mulheres, à Reverenda anglicana Carmem Kawano e à Pastora evangélica Ester Pires Brancia para discutir como suas tradições e denominações religiosas refletem sobre a violência física e psicológica que aflige centenas de mulheres todos os dias, no Brasil.
O evento acontece das 9h30 às 12h30, na Paróquia da Santíssima Trindade, localizada na Praça Olavo Bilac, 63, próximo à Estação Marechal Deodoro do Metrô-SP. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail saudedireitos@koinonia.org.br.

FONTE: Koinonia Presença Ecumênica e Serviço em 15/03/2013

Verdade e Gênero – a violência da ditadura contra as mulheres

Para entender às atrocidades cometidas nos porões do regime militar contra as mulheres, a audiência “Verdade e Gênero” aconteceu na última segunda-feira (25/3), na Assembleia Legislativa de São Paulo. Realizada pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva e pela Comissão Nacional da Verdade. Estavam presentes ex-presos e presas políticos, militantes, jornalistas e curiosos, que tomaram conta do auditório Paulo Kobayashi.
A Comissão da Verdade (CV) tem por objetivo investigar as violações de direitos humanos ocorridas durante a ditadura militar (1964-1985). No entanto, como lembrou o coordenador da Comissão Nacional da Verdade Paulo Sérgio Pinheiro, Comissões da Verdade no mundo afora falharam em excluir as mulheres da lista de sobreviventes. “Todos os comissionados têm pela ciência da importância do “revivamento” das mulheres que participaram da luta por justiça e liberdade neste país”, constatou Paulo Sérgio Pinheiro.
Além do coordenador nacional da CV, também participaram da audiência a sobrevivente e assessora de comunicação da comissão estadual Maria Amélia de Almeida Teles (a Amelinha), o deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP), a teóloga, filósofa e especialista em gênero Ivone Gebara, a psicanalista Maria Rita Kehl e a advogada Rosa Maria Cardoso (ambas integrantes da comissão nacional), e a ministra da Secretaria de Políticas paras as Mulheres da Presidência da República Eleonora Menicucci de Oliveira.
A ministra Eleonora Menicucci ficou encarregada de homenagear Inês Etienne Romeu, a única sobrevivente da Casa da Morte – um centro clandestino de tortura criado pela repressão militar. Inês Etienne foi presa, humilhada, torturada e estuprada repetidas vezes, até ser abandonada quase sem vida em uma rua do subúrbio da cidade do Rio. Acusada de participar do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, Inês foi presa pelo delegado Sérgio Paranhos e enviada à Casa da Morte. O que restava àqueles que diariamente eram torturados por um nome ou informação era a memória. Inês Etienne guardou os nomes de seus torturadores e dos presos assassinados e desaparecidos. Livre de prisões e torturas, a sobrevivente dedicou a sua vida às denúncias de crimes ocorridos na Casa da Morte.
Ao lembrar-se de Inês e daquela época, a ministra Eleonora Menicucci confessou sentir um misto de alegria e sofrimento. Alegria por ter sobrevivido para participar de um momento em que a verdade não mais é esquecida e ignorada. E sofrimento “porque quando falamos da nossa tortura e ouvimos relatos de companheiros e companheiras, voltamos a viver aquele sofrimento”.
Pela primeira vez, o tema gênero na ditadura foi discutido na Comissão da Verdade trazendo ao conhecimento a violência até então silenciada pela história.
A Campanha “O amor lança fora todo medo”, em sintonia com essa realidade vivida no passado, como também ainda presente na vida de muitas mulheres do Brasil, denuncia que a violência contra as mulheres ainda é uma prática ainda em nossos dias. 

FONTE: Koinonia Presença Ecumênica e Serviço em 28/03/2013

Novo dossiê: Violência contra a mulher

A campanha “O amor lança fora todo medo” acaba de lançar um dossiê com notícias e informações sobre o tema violência contra a mulher, publicadas por diferentes fontes. O dossiê, atualizado diariamente, busca ampliar o acesso à informação sobre o tema colaborando na luta contra a violência contra a mulher.
Além de notícias e artigos sobre a temática, a publicação, em formato de blog, apresenta informações sobre a campanha, o texto da Lei Maria da Penha, uma lista de publicações, vídeos e organizações que trabalham com o tema. Um mapa com as notícias divididas por estados também faz parte do dossiê.
Violência contra a mulher e a campanha “O amor lança fora todo medo”
Em 2013 o tema da campanha “O amor lança fora todo medo” é violência contra a mulher. Nós de KOINONIA queremos fortalecer a luta por um mundo livre de agressões contra as mulheres tanto física como psicológica. Dez mulheres são agredidas a cada hora. Uma morre vítima de violência a cada duas horas. Mas apenas 2% dos agressores são condenados. Os números demonstram que ações contra essa realidade são impreteríveis. A Lei Maria da Penha deve ser cumprida. Incentivar as denúncias é imprescindível. Mas essencial é refletir e buscar tratar as causas da violência. A violência contra as mulheres é o reflexo de uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres e constitui uma violação dos direitos e liberdades fundamentais das mulheres
Sobre a campanha:
A ideia nasceu com a participação de religiosos na Parada Gay de 2011, em São Paulo. Com o lema “O amor lança fora todo medo,” líderes de diferentes tradições religiosas uniram-se, pela primeira vez, a quatro milhões de pessoas contra a homofobia. Religosas e religiosos manifestaram respeito às diversidades.
Hoje a campanha abraça um universo maior de causas: estamos juntos contra qualquer forma de discriminação. Lutamos contra a intolerância religiosa que persegue adeptos de diversas religiões, principalmente de matriz africana, com o intuito de impedi-los de professar sua fé livremente. Acreditamos que é preciso combater o racismo diariamente. Há uma urgente necessidade de aplicação universal dos direitos e princípios relativos à igualdade, segurança, liberdade, integridade e dignidade de todos os seres humanos.
Traduzimos nossos ideais em ações de denúncia, produção de conhecimento, disseminação das informações e promoção de debates. Cremos que é preciso impulsionar cada vez mais uma cultura de direitos para que as intolerâncias sejam superadas.

FONTE: Koinonia Presença Ecumênica e Serviço em 28/04/2013

Violência contra a mulher é tema da nova edição da T&P

Os números de tortura, abusos e assassinatos de mulheres só tendem a crescer na maioria dos países, incluindo o Brasil. Nessa direção convidamos autoras e autores para compartilharem em uma edição da revista Tempo & Presença diferentes perspectivas sobre o gravíssimo problema da violência contra as mulheres.
Aproveitamos também para apresentar nesse número da revista a campanha pública “O amor lança fora todo medo.” Nas palavras do editor Zwinglio Dias:
“KOINONIA lançou em 2012 a campanha que tem por lema uma frase do apóstolo João (Jo 4, 18) …”O amor lança fora todo o medo” em favor do respeito e acolhimento das pessoas que, por diferentes motivações, não se enquadram nos padrões comportamentais estabelecidos ao longo do tempo e, de certa forma, “consagrados” como a única possibilidade de convivência social. Ao mesmo tempo esta campanha procura educar e formar para a cidadania responsável denunciando todas as formas de discriminação, baseadas em conceitos e ideologias que privilegiam o racismo, o machismo, o fundamentalismo religioso e econômico assim como todas as demais posturas de caráter fascista que negam o direito legítimo à diferença”.
Neste ano o foco das ações de KOINONIA nesta campanha é o combate a violência contra a mulher. Assim convidamos todas e todos a se engajarem nessa campanha.
Escreveram nesta edição da revista:
  • Ivone Gebara, teóloga e cronista da Tempo & Presença
  • Sarah de Roure, historiadora de formação, cristã por vocação e militante feminista por opção.
  • Raquel Lima Catalani, formada em Teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e graduando Letras pela Universidade de São Paulo. (USP). Raquel também é facilitadora da Rede Ecumênica da Juventude (REJU) em São Paulo
  • Ilcelia Soartes – Psicóloga, mestre em psicologia clínica na área de família e interação social, pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). Especialista em violência doméstica pela Universidade de São Paulo (USP), ativista em HIV-AIDS pela Articulação AIDS de Pernambuco.
  • Alexandra Meneses Andrade, Equatoriana, metodista, trabalha na Sede do Clai (Conselho Latino-Americano de Igrejas), e é deficiente.
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  • FONTE: Koinonia Presença Ecumênica e Serviço em 22/08/2013